5 características fundamentais para ser um jornalista de moda

Se você acha que a vida de um jornalista de moda é cheia de glamour, pode tirar suas botinhas da chuva. Isso porque a profissão é séria e requer muito mais do que paixão por roupas, sapatos e acessórios. Curiosidade, agilidade, conhecimento e, claro, muita criatividade são fundamentais – porque quando os perrengues acontecem, não adianta nem rezar para a santa Miranda PriestlyÉ você e você mesmo.

Depois de tanto pesquisar sobre o tema e de lembrar algumas situações que aconteceram comigo, decidi resumir tudo o que sei em dicas rápidas e funcionais, bem fáceis de serem seguidas.

Jornalismo de Moda: seja curioso!

1 – Um bom jornalista de moda precisa ser curioso

Meu intuito aqui não é ensinar o padre a rezar a missa, mas uma coisa muito simples – que quase todo mundo esquece – precisa ser frisada: seja curioso. A curiosidade é o combustível de um jornalista, seja ele de moda ou não.

Fazer as perguntas certas, ser e se mostrar interessado pelo assunto é importante para descobrir fatos.
Questione e não tenha medo de questionar. Mas saia do óbvio, por favor.

Ao entrevistar um estilista sabemos que algumas perguntas não podem sair da pauta. A clássica: “– Qual foi sua inspiração para essa coleção?” é uma delas e quer saber? Tudo bem! Quando digo “sair do óbvio” me refiro ao que vem depois dessa pergunta. O estilista, por exemplo, pode dizer que se inspirou nas roupas das dançarinas de tango que viu ao viajar para Buenos Aires.

E aí cabe a você, jornalista, o desdobramento disso. Você pode não saber muito sobre Buenos Aires, sobre tango ou sobre o próprio estilista, mas não deve ter medo de questionar.

Será que ele aprendeu a dançar tango para entender como o tecido se comporta durante a dança?
Será que ele entrevistou dançarinos, fotografou as roupas, acompanhou ensaios?
Essa viagem já estava pensada?
Ele realmente queria ir para Buenos Aires para fazer uma coleção inspirada na cidade?
Será que ele fez alguns esboços em algum café, em algum restaurante por lá?
Se sim, será que ele pode compartilhar isso?

Perguntas básicas todos farão, mas você quer ir além delas. Ninguém resiste a uma boa história e você, como jornalista, deseja contar uma. Só que tudo começa com o faro, com a curiosidade – e, claro, com a criatividade.

Para fechar esse tópico, há uma frase de Steve Jobs que eu gosto muito: “Stay hungry. Stay foolish.
Logo, esteja faminto por boas histórias, questione, pareça bobo, faça perguntas bobas, muitas vezes são delas que extraímos o tesouro.

Jornalismo de Moda: faça o dever de casa


2 – Um jornalista de moda precisa fazer o dever de casa

Mais um “pretinho básico” na vida de um jornalista. Antes de sair para uma pauta, certifique-se de que você sabe sobre o assunto – e é sério. Não tem nada pior do que entrevistar alguém que nunca ouviu falar ou cobrir um evento que você nem sabe sobre o que é.

Hoje em dia tudo ficou muito mais fácil com o smartphones. Mesmo na correria entre uma reportagem e outra é sempre bom dar uma “googlada” sobre o entrevistado. Dessa forma você se sentirá mais seguro, conseguirá fazer boas perguntas e não dará bolas foras.

Por que eu digo isso? Durante um evento de moda, em 2011, precisei entrevistar a estilista da Bobstore. Eu nunca tinha ouvido falar da marca, mal tinha lido o release sobre a coleção que ela estava apresentando na passarela e acabei me confundindo com as peças do estilista anterior – eu era jornalista de primeira viagem, não julgue.

Ao encontrá-la disse uma frase como: “Percebi que você investiu muito em calças cropped nessa coleção. Pode nos contar um pouquinho sobre como a ideia surgiu?

Ela me deu um olhar de: “- Sério que você está perguntando isso?” E respondeu em alto e bom som para todos os outros jornalistas e blogueiros: – São calças flare, não cropped.

Desde então, faço meu dever de casa bonitinho, anoto tudo antes de encarar os estilistas. Se você visse aquele olhar… Com certeza faria o mesmo.

Jornalismo de Moda: corra maratonas


3 – Um jornalista de moda deve estar preparado para uma maratona

Achou mesmo que a cobertura de um desfile seria fácil? Não, não é.
Correr para o backstage, correr para o lounge, correr para assistir ao desfile, correr para entrevistar os estilistas, escrever parte da matéria ou pelo menos esboçá-la. Dar uma passada no banheiro para retocar a maquiagem, correr para o backstage novamente, entrevistar modelos, ver o desfile, anotar…

É bom ser ágil. Suas pernas vão trabalhar tanto quanto seu cérebro, logo, use uma sapatilha, um tênis e, se realmente for necessário o uso de um salto alto, opte pelo mais confortável possível.

Nem sempre você conseguirá fazer tudo isso com saltos vertiginosos, digo por experiência própria. Uma vez caí na besteira de usar uma sandália linda, salto 15, para cobrir um desfile. Aguentei até o final, mas no outro dia, só Deus sabe como eu ainda tinha pés.

Jornalismo de Moda: seja amigo da tecnologia


4 – Um jornalista de moda deve amar a tecnologia – mas não ser seu escravo

Quando comecei no jornalismo de moda, nem smartphone eu tinha. Era em 2010 e o meu era um celular cor-de-rosa Motorola, de flip – que não fotografava. Naquela época usava apenas blocos de notas e uma câmera Nikon Coolpix P100 – que me salvou em muitas ocasiões.

Hoje em dia, para trabalhar como jornalista ter um smartphone que consiga lhe ajudar na cobertura de eventos, entrevistas e afins é mais do que importante. Chega a ser essencial. Afinal, estamos todos conectados, publicando instantaneamente nas redes sociais.

Você não precisa ter o mais caro, o último modelo da marca X, mas tenha a consciência de que seu smartphone será um grande aliado. Ele precisa ser ágil e não travar quando você mais precisa; ter pelo menos uma boa câmera para gravar e fotografar e acessar a internet. Faça sempre o backup – de preferência escolha a opção automática que alguns aparelhos oferecem.

Outra dica: deixe o atalho de um “bloco de notas” logo na tela inicial e não se esqueça do carregador portátil. Também não confie cegamente em seu celular, máquinas falham e aí, ter um caderninho, caneta e uma câmera compacta na bolsa – ou o contato de um dos fotógrafos do evento – salvará sua pele.

Jornalismo de Moda: faça networking


5 – Um jornalista de moda precisa fazer networking

Fiz muitos amigos enquanto cobria moda, amigos que tenho até hoje. O cabeleireiro, o maquiador, os modelos, fotógrafos, assessores… Além de nos divertirmos muito durante e depois dos desfiles, eles sempre me passaram boas pautas e me davam acesso a lugares que nem todo jornalista conseguia entrar. Fora os segredinhos…

Por causa de um amigo maquiador, descobri que uma grande marca usava absorventes como palmilhas para os sapatos das modelos. Como eles eram muito grandes, acabavam caindo dos pés durante o ensaio. As meninas, obviamente, estavam furiosas – tanto com os sapatos, quanto com os absorventes e com a marca. #BAPHO.

Logo, não se esqueça de pegar contatos e de entregar seu cartão – com suas redes sociais, e-mail e seu telefone, claro.

Espero que você tenha gostado das dicas e que tenha se divertido ao ler, como eu me diverti ao escrever. Todas as características que listei sobre jornalismo de moda foram importantes em minha vida profissional e me ajudaram muito.

Se você gostou do texto, compartilhe com o amigo ou a amiga que não vê a hora de cobrir desfiles e entrevistar estilistas. E se tiver alguma sugestão de pauta, alguma pergunta, deixe um comentário! 😉

Imagens: O Diabo Veste Prada – Fox Films/reprodução.

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Por que um blog sobre jornalismo de moda?

Odeio clichês, mas é impossível começar este texto sem pelo menos um.

Descobri que seria jornalista logo cedo, aos oito anos, para ser mais certeira. Eu escrevia muito nessa idade, tanto quanto desenhava roupas e as costurava em minhas bonecas Susi (desculpem fãs da Barbie, eu sempre preferi a Susi).

Se eu não estava com um lápis e um caderno na mão escrevendo, estava com um lápis e um caderno na mão desenhando, ou estava com uma linha, uma agulha, uma boneca e retalhos.

Quando cheguei aos 10 anos decidi que seria escritora, que trabalharia em um jornal ou revista escrevendo sobre o que eu mais amava – e ainda amo – moda, filmes, livros, música. Eu ainda estava no Rio Grande do Sul nessa época e já passava a ser conhecida como a “escritora”, a “jornalista” da escola. Se não me engano, alguns poemas meus foram lidos em alguns festivais do colégio. E sempre que tínhamos que apresentar um trabalho, eu queria que fosse como um telejornal, uma revista, algo assim.

Mesmo cedo eu sabia o que eu queria. Eu definitivamente sabia.

Até que chegou a época do vestibular e eu já estava em Santa Catarina. Fiz a inscrição para o curso de Moda, da Udesc e para o de Jornalismo, na UFSC. Não passei em nenhum deles, mas ganhei uma bolsa para estudar Jornalismo, no Centro Universitário Estácio de Sá.

Apesar de estudar jornalismo (profissão que eu tanto amo), meu coração sempre dava um jeito de me puxar para a moda. Comecei a faculdade aos 16 anos e já escrevia uma coluna para uma revista adolescente bem conhecida na região. Eles começaram a gostar de meu trabalho e, quando vi, estava escrevendo, além da coluna, matérias sobre comportamento e, principalmente, matérias sobre moda.

Um ano depois eu havia sido contratada pelo Jornal Hora de Santa Catarina, do Grupo RBS. Comecei como Atendente ao Leitor, cuidava das sugestões recebidas pelos leitores e também tive a oportunidade de participar de um projeto muito legal, que rendeu o Segundo Lugar no Prêmio de Jornalismo e Entretenimento RBS de 2011. Criei, em conjunto com a equipe jornalística e colegas jovens que trabalhavam no jornal, o blog Fica a Dica e ali meu amor pela moda só cresceu.

Fui convidada para participar da cobertura do Donna Fashion DC, um evento de moda promovido pelo Diário Catarinense e, depois, fui contratada como Assistente de Conteúdo do jornal.

Atuei na editoria Variedades e, enfim, consegui escrever sobre filmes, livros, shows, teatro e, claro, MODA – já que minha gestora na época era editora da Revista Donna. Por causa da Donna participei de outros eventos de moda, escrevi matérias para o portal, acompanhei editoriais e afins.

A vida me levou para outros caminhos, há três anos atuo como Social Media em uma agência digital – a Tiki. Sou responsável pela gestão e criação de conteúdo das redes sociais da Locaweb e aprendi a amar a tecnologia e o digital.

Mas mesmo não trabalhando mais com moda, meu coração ainda bate forte por ela. Por isso criei o Jornalismo de Moda, para poder compartilhar um pouco de minha experiência, aprender mais e escrever sobre esse assunto que faz parte de mim e que me faz tão bem.

Sejam bem-vindos! 🙂

Miranda Priestly
Jhenifer Pollet

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