Por que você precisa conhecer Jennifer USA?

Jennifer USA / reprodução

Ainda lembro do dia em que conheci Jennifer.
Era feriado, dia 7 de setembro de 2017, e muita coisa aconteceu. Estava rolando um concurso de barbas e bigodes na cidade, numa pegada bem hipster, sabe? Eu fui, bebi – obviamente – fiz uma tatuagem e ainda comprei uma tinta vermelha para pintar meu cabelo.

Foi quando, entre uma conversa e outra sobre roupas sem gênero, @Stephanie, uma de minhas melhores amigas, comentou sobre minha xará: a Jennifer USA – uma marca streetwear voltada para as mulheres e que tem o seguinte propósito: criar peças femininas tão incríveis que os homens queiram usá-las também.

Como você pode imaginar, fiquei tão empolgada com esse conceito que nem a nova tatuagem, muito menos a tinta vermelha e os caras do concurso me marcaram tanto quanto Jennifer naquele dia.

Jennifer USA / reprodução

Jennifer USA/reproduçãoAo pesquisar sobre a marca, descobri que o criador, Bobby Hundreds, já trabalhava com streetwear há 14 anos e sempre recebia perguntas como:

“Quando você vai criar a The Hundreds* feminina?”.

Bobby sempre levou em consideração uma regra muito importante no design: ter algo a dizer e, quando se tratava de moda feminina, se sentia sem palavras. Achava que não tinha muito a contribuir com o guarda-roupa das mulheres.

Até que o designer percebeu que a moda estava mudando, que os homens já estavam vestindo alguns acessórios tidos como femininos e as mulheres estavam deixando de pegar emprestado camisetas masculinas para comprar esses modelos. Foi aí que Bobby começou a se perguntar:

“Por que dentro da moda é ok as mulheres cobiçarem roupas de seus companheiros, mas não o contrário? Não estaria na hora de criar uma marca feminina em que os homens implorassem para vesti-la?”.

E assim, a partir dessa pergunta, nossa querida Jennifer nasceu.

Jennifer USA/reprodução

Lançada em novembro de 2016, Jennifer USA conta com moletons, calças, camisetas, bonés e bermudas que prezam pelo conforto. Tudo para que as mulheres se sintam bem, confiantes e cheias de estilo – mesmo usando moletons.

São poucas as cores oferecidas (tem um rosa millennial incrível) e todas as peças são básicas, confortáveis e vão bem para trabalhar, estudar, passear – e, se você é mais “ousada(o)”, dá até para usá-las na balada.

As roupas não são muito estampadas; geralmente levam apenas marca em destaque. Mas em dezembro do ano passado, foram lançadas três camisetas com ilustrações de mulheres feitas pela artista Tara Johnson – que são lindas, por sinal.

Jennifer USA/reprodução

Um detalhe curioso: sabe por que Bobby escolheu o nome Jennifer para sua marca? Porque ele tinha um apreço por meninas com esse nome – desde uma Jennifer que estudou com ele no jardim da infância, a atriz Jennifer Connelly e a personagem Jennifer Parker, de De Volta para o Futuro.

Para ele, “Jennifers” são raras, exclusivas e sempre estavam fora de seu alcance. Por isso quis que a marca tivesse esse nome. Ele queria que as pessoas, assim que vissem o logotipo estampado nas peças, soubessem que as roupas tinham sido feitas para mulheres, pensadas em mulheres.

Gostou da proposta? Será que seu namorado/amigo/irmão “roubaria” essas roupas do seu closet?
Você pode conferir o lookbook da marca no site: www.jenniferusa.com.

Ps.: Eu sei que este texto pode até ser um tanto “egocêntrico”, já que Jennifer é minha xará, mas não podemos negar que a história é muito legal. E, bem, tudo o que um jornalista de moda quer é uma boa história para contar. Então… 😉

 

* The Hundreds é uma marca streetwear em que Bobby Hundred é cocriador.

 

Imagens: Jennifer USA/reprodução

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Quando uma jaqueta vale mais do que um textão

Lembro que enquanto fazia meu trabalho de conclusão de curso (há muito tempo), me deparei com um livro na biblioteca da universidade: Moda também é texto, da escritora Sandra Ramalho e Oliveira. O título logo de cara chamou minha atenção e me fez refletir: como assim, moda também é texto? E, bem, se pararmos para pensar, é isso mesmo.

As roupas, sapatos e acessórios que escolhemos diariamente antes de sairmos de casa comunicam por nós – mesmo que não falemos nada – e, com a quantidade de conteúdo compartilhado à exaustão nas redes sociais, com o número de informações vertendo em portais de notícias, nos sentimos um tanto perdidos. Muitas vezes deixamos de ouvir a nossa própria voz, de expressá-la. E é aí que a moda salva.

Quando a “tendência” é encher o Facebook de textão e provocar discussões – muitas vezes inteligentes e reveladoras, outras nem tanto – a moda se encarrega de promover a reflexão nas ruas. Frases curtas, diretas e empoderadoras ganham destaque em jaquetas e camisetas que desfilam pelas cidades e são fotografadas e publicadas em muitos “Pinterests”, “Instagrams” e blogs da vida.

E quem se beneficia disso tudo somos nós, que de meros espectadores da mídia, viramos protagonistas e damos voz ao que acreditamos de fato, informando com roupas que por si só carregam sua mensagem – tanto com as palavras bordadas, quanto com as texturas, cores e formas escolhidas.

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Imagem: Elle Espanha

Ao vermos a frase/manifesto “We should all be feminists”, da incrível Chimamanda Ngozi Adichie em peças da Dior, a moda prova que vai muito além da estética e do consumo. Mostra que também fala sobre política, reflete o tempo em que vivemos e que pode carregar consigo mensagens fortes e transformadoras.

Só espero, do fundo do meu coração, que o discurso da marca francesa seja real, não só uma forma de se apropriar de um tema importante para vender mais.

De todo o modo, não posso negar que a Dior abriu caminho para que possamos ser mais ouvidos, lidos, vistos. Dis-cu-ti-dos. E, assim, deu espaço para que outras frases fossem bordadas em jaquetas, pintadas em camisetas e empoderassem mais pessoas. O resultado? Uma moda mais reflexiva.

Enquanto nem todo mundo tem como pagar por uma t-shirt Dior (e eu me encaixo nessa), um projeto brasileiro tem se encarregado de dar voz para as pessoas que não têm medo de se expressar pelas ruas.

O Céu Handmade, que foca na customização e no upcycle, já estilizou muitas jaquetas, camisetas e acessórios com frases de impacto (e ilustrações incríveis também). A loja fica no Rio Grande do Sul, mas entrega para todo o Brasil.

Imagens: Céu Handmade/Instagram – reprodução

A Céu vende peças customizadas e também oferece serviços para quem deseja dar uma nova cara para a jaqueta que está lá no armário, esquecida, sabe? Vale a pena dar uma olhada no Instagram da loja e conferir o trabalho.

Agora, se você é daqueles que adora tutoriais de Do it Yourself, já sabe: tinta para tecido, pincel e muita criatividade! É só escolher as palavras ou a frase que mais tem a ver com seu perfil e se jogar. Afinal, não importa tanto a cor, as letras, o formato. O que importa mesmo é a mensagem e, nesse caso, você vai sair lacrando muito por aí, quebrando “certas opiniões” – sem precisar abrir a boca para isso.

Mas se quiser fazer textão, falar e usar a moda como expressão, tudo junto ao mesmo tempo, também vale. Você tem voz, redes sociais e, claro, suas roupas. 😉

Imagens: Léo Faria / Dior / Céu Handmade

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